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Flávio Moreira cobra “soberania” do governo, mas silencia sobre abusos de Moraes que provocaram sanções dos EUA

O presidente do Agir 36 na Paraíba, Flávio Moreira, utilizou as redes sociais nesta quarta-feira (30/07) para conclamar o Governo Federal a reagir diante da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, classificada como resposta a uma “emergência nacional”, tem como origem não um ataque externo à soberania do Brasil — como sugerido por Flávio — mas, sim, as ações internas do próprio Estado brasileiro, especialmente as conduzidas pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes.

Na postagem, Flávio citou a articulação do deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o governo Trump como um “ato de resistência” contra o que definiu como “um ataque direto à soberania e à democracia nacional”. Ele escreveu:

“Quem manda na minha casa sou eu. Mesmo que venha um tanque de guerra e eu só tenha pedras, vou resistir até o final. O @govbr tem obrigação de defender a soberania nacional e não pode se submeter à chantagem de nenhum país, por mais poderoso que seja, sob pena de virar uma republiqueta.”

O discurso inflamado, no entanto, ignora um detalhe crucial: a tarifa imposta por Trump foi uma resposta direta aos abusos cometidos por Moraes, que — conforme descrito em comunicado oficial do governo norte-americano — perseguiu e censurou cidadãos americanos em território americano, além de impor ordens ilegais contra empresas dos EUA, congelar bens, ameaçar executivos e tentar interferir judicialmente em discursos feitos nos Estados Unidos.

De acordo com a ordem executiva assinada por Trump, Moraes atuou fora dos limites do direito internacional e violou garantias fundamentais protegidas pela Constituição norte-americana, submetendo cidadãos a prisões arbitrárias e censura, inclusive por meios extraterritoriais.

Apesar da gravidade das acusações e da reação dura dos EUA, Flávio Moreira optou por não citar Alexandre de Moraes em sua declaração. Sua crítica se concentrou inteiramente no governo americano e se omitiu sobre a origem da crise — uma escolha que reforça uma narrativa seletiva, que vitimiza o Brasil ao mesmo tempo em que ignora o papel ativo de suas instituições no início do conflito diplomático.

Ao defender uma resposta firme do governo federal e invocar a soberania nacional, Moreira ignora que foi justamente um agente do Estado brasileiro quem atravessou os limites da soberania alheia, ao tentar aplicar decisões judiciais brasileiras contra cidadãos dos EUA em solo americano.

O silêncio sobre os abusos de Moraes torna o apelo à soberania nacional um discurso contraditório. Afinal, como exigir respeito internacional quando se rasga o princípio da reciprocidade entre nações?

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