Neste último domingo (5), milhares de brasileiros saíram às ruas em diversas cidades do país para participar de manifestações que, mais do que protestos pontuais, refletiram um grito coletivo contra o que muitos classificam como abusos institucionais.
As pautas foram claras e diretas: anistia para os presos do 8 de janeiro de 2022, impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes e um julgamento justo para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que, por decisão do próprio Moraes, foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica e está proibido de utilizar redes sociais — o que, para muitos, representa um cerco à liberdade de expressão e ao devido processo legal.
Os atos, organizados de forma descentralizada, reuniram desde apoiadores do ex-presidente até defensores das garantias constitucionais que, em tempos recentes, passaram a ser tratadas como privilégios incômodos por algumas instâncias do Judiciário.
No centro das críticas está, mais uma vez, o ministro Alexandre de Moraes. A crescente insatisfação popular com sua atuação — seja por suas decisões monocráticas, seja pela condução de processos sem ampla defesa — alimenta os apelos por responsabilização institucional. A palavra “impeachment” voltou com força às faixas e discursos.
Já o uso de tornozeleira eletrônica por Bolsonaro virou, para muitos manifestantes, o símbolo de uma inversão perversa: enquanto criminosos confessos gozam de benefícios, o ex-presidente é tratado como ameaça — tudo isso antes mesmo de qualquer condenação definitiva.
As manifestações, apesar da tentativa de desqualificação por parte de setores da imprensa, revelam que há um Brasil que não se cala. E que, diante de ministros que legislam, julgam e prendem, ainda prefere as ruas à omissão.