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Críticas e recuos expõem sistema da Zona Azul Digital em João Pessoa

O projeto da Zona Azul Digital em João Pessoa, lançado sob o discurso de modernização da mobilidade urbana, já acumula mais problemas do que resultados. Pressionado por comerciantes e pela própria população, o prefeito em exercício, Leo Bezerra (PSB), anunciou nesta segunda-feira (22) uma série de recuos que escancaram a falta de planejamento na implantação do sistema.

A principal mudança foi a suspensão da taxa de R$ 30, que passaria a ser cobrada após o fim do período educativo em 8 de setembro. Agora, o prazo foi prorrogado até o dia 8 de outubro, em mais um sinal de que a prefeitura não conseguiu sustentar as regras iniciais diante da rejeição popular.

Outra alteração significativa foi o aumento do tempo máximo de permanência nas vagas rotativas de duas para quatro horas, mantidos os valores de R$ 3 por hora e R$ 1,50 por meia hora. O ajuste, embora celebrado por comerciantes, reforça a percepção de improviso e de falta de diálogo no processo de implantação.

A gestão ainda anunciou que moradores do Centro Histórico terão direito a isenção futura ou condições diferenciadas, a serem regulamentadas por decreto. A medida, mais uma vez, surge após forte pressão social e deve servir como base para novos ajustes — ou seja, mais remendos em um projeto que já nasceu contestado.

Em coletiva, Leo Bezerra tentou amenizar o desgaste:

“Não é para arrecadar. É para dar mobilidade e ajudar quem quer comprar e quem quer vender”, disse o prefeito em exercício.

No entanto, para comerciantes e usuários, o discurso contrasta com a realidade: o sistema falhou em seu propósito inicial, criou insatisfação generalizada e obrigou a prefeitura a retroceder em pontos centrais da regulamentação.

O caso da Zona Azul em João Pessoa se soma a outros exemplos de políticas públicas mal implementadas, em que a pressa em lançar um projeto fala mais alto do que a necessidade de planejamento e diálogo com a população.

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